Pedras estão sendo pintadas de cinza. Caixa não respondeu o motivo da obra (IGOR DE MELO)A fachada do prédio da antiga alfândega, tombado em 2005 pelo Governo do Estado, está ganhando nova tonalidade. No lugar da cor natural dos elementos componentes das rochas, o cinza ganha vez em diversos trechos da construção que se destaca na avenida Pessoa Anta, na Praia de Iracema. O espaço está em obras desde 2009 para abrigar a Caixa Cultural, equipamento de cultura da Caixa Econômica Federal.
Arquitetos procurados pelo O POVO para comentar a situação estranharam a novidade. Isso porque obras em prédios tombados só podem ser realizadas observando-se as particularidades da construção. “O que prevalece em um restauro é a valorização dos materiais originais, das técnicas originais, da maneira como os materiais foram dispostos”, frisa o arquiteto e professor da UFC, Romeu Duarte Junior.Destacando não ter conhecimento do projeto da Caixa Cultural, Duarte cita que, caso a nova cor não seja de um produto para proteger a fachada, pintar as pedras é “muito estranho”. “Quando passa tinta, (a parede) vai ficar com as características e todos elementos que compõem o material muito escondidos”, diz.
“Para o bem da cidade, mesmo o prédio histórico não sendo tombado, é importante que fique mais próximo do original no aspecto externo”, comenta o arquiteto Antônio Rocha Junior, diretor de política cultural do Instituto de Arquitetos do Brasil no Ceará (IAB-CE).
“Você quando faz intervenção em bem tombado tem que buscar programas arquitetônicos compatíveis. Não pode descaracterizar aquilo ali”, lembra o arquiteto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Francisco Augusto Sales Veloso.
Fonte: O Povo
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